Estar no mundo; estar para o mundo. Mundo como representação; minha representação. Mundo como realidade; a minha realidade é o meu mundo, minha criação. Minha experiência no mundo é a minha existência enquanto ente que lhe dá sentido. O mundo que tem o meu sentido; meu mundo.
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05/03/2002
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Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
I'm back.
posted by Maur�cio at 12:02 AM
Quarta-feira, Abril 02, 2003
O que leva a hiperpotência econômica e militar do planeta a agir com tanta arrogância e impetuosidade? Acho que a melhor resposta para isso está contida numa única palavra: poder. Somente o desejo de poder é capaz de mobilizar tanta disposição para aniquilar o outro, para extirpá-lo como se este fosse uma erva daninha que ameaça um vistoso jardim. E os portadores das condições para o exercício deste poder não poderiam pensar de outra maneira – “Quem poderá nos impedir de fazermos o que bem quisermos? Manda quem pode, obedece quem tem juízo...”
Este desejo de poder presente no sentimento do governo dos EUA percorre toda e qualquer forma de exercício político; o trágico neste caso é que o poder encontrou as condições favoráveis para se fazer impor irrestritamente, baseando-se numa autoridade legitimada pelo militarismo e que se diz “iluminada” pelo Todo Poderoso Bem Supremo para levar a todos os cantos do globo a “boa-nova” que é a democracia. Como puderam profanar as instituições democráticas fazendo delas o background de suas pretensões expansionistas...
O ataque ao Iraque não é uma simples resposta à ameaça desse novo inimigo abstrato chamado “terrorismo”; não é também um simples pretexto para a tomada do controle sobre o petróleo daquele país. A mentalidade do atual governo dos EUA vai além desta mera preocupação com a segurança ou com a economia – vai de encontro a uma auto-imagem que fazem de si mesmos como os Senhores da História. Esta busca por uma auto-afirmação tem um fundo bastante psicanalítico: tendo em mãos os meios mais violentos (e por isso tidos como os mais “eficazes”) para impor sua vontade ao mundo, os EUA querem dizer a todos “quem é que manda”. É uma típica reação de ódio a toda diferença, a toda multiplicidade; é um desejo subcutâneo de se auto-declarar “o melhor”, “o escolhido”, e isso se reflete no uso abusivo e indiscriminado que fazem da religião.
Afirmar que a luta atual é do “Bem” contra o “Mal” é o mesmo que dissolver toda a complexidade dos processos políticos num mero maniqueísmo, transformando numa escatologia que leva, necessariamente, à vitória dos “eleitos”. Os EUA se investem desta aura “bíblica” e conduzem sua política externa “em nome de Deus”. Os falcões que contaminam a administração Bush trazem consigo esta disposição evangelizante, julgam-se como os detentores da Verdade que deve ser disseminada (e aceita sem contestação) por todo o mundo.
Vejam, por exemplo, o caso de Israel, país a que os EUA dedicam uma ajuda econômica de bilhões de dólares por ano. Como entender as atitudes de um Ariel Sharon, que mata palestinos como se estes fossem insetos? Como aceitar que o representante político de um povo marcado pelas diásporas e pelos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial possa imputar aos seus vizinhos mulçumanos a face do “grande Mal” a ser eliminado da “Terra Santa”? Baseando-se nas Escrituras Sagradas, um facínora como Ariel Sharon acha-se no direito divino de afugentar – quase sempre exterminar – um povo que tem tanto direito de estar ali quanto os judeus. No entanto, investindo-se da condição permanente de “vítimas” (o que fere o próprio orgulho do povo judeu, que acima de tudo gostaria de se livrar do estigma que a História e, por último, o Holocausto lhes impuseram), usam de todo armamento fornecido pelos EUA para livrar-se de quem quer que se coloque no seu caminho; usando o passado como escudo e Deus como desculpa, o senhor Sharon mata quem quiser.
O mesmo se dá com os EUA. A ação desencadeada após o fatídico dia 11 de setembro de 2001 apenas antecipou a execução do projeto “América para o Século XXI”, cujas linhas mestras haviam sido propostas pelos falcões Paul Wolfowitz, Richard Chenney e Donald Humsfeld em 1992 – os mesmos homens que hoje fazem parte do primeiro-escalão do governo Bush. O curioso é que naquele ano o “Bush pai” havia recusado tal documento, que voltaria a ser oferecido ao então presidente Clinton em 1998, por época da ação militar no Iraque batizada de “Raposa do Deserto”.
Após a queda do bloco comunista os EUA sentiram a necessidade de definir uma nova estratégia para sua política externa, uma abordagem que permitisse levar adiante suas pretensões hegemônicas. Mas sem um “inimigo” a quem declarar guerra, como sustentar sua posição de “Salvador” do mundo? No documento supracitado, os mesmos países que hoje compõem o Axis of Evil (Eixo do Mal) já estavam escalonados: Iraque em primeiro lugar, Coréia do Norte logo em seguida. Porém faltava uma “justificativa” para estas ações preventivas (preemptive actions); faltava a “face” do novo inimigo a ser enfrentado. E assim o episódio de 11 de setembro de 2001 surgiu como o divisor de águas perfeito para iniciar uma nova etapa da ação hegemônica norte-americana.
Em meio a esta política fundamentalista judaico-cristã, quem sofre, via de regra, é a população civil. O povo do Iraque, por mais descontente que possa estar com a ditadura de Saddam Hussein, deveria ter o direito inalienável de decidir por si mesmo o futuro de seu país; se houvesse um movimento legítimo surgido no seio da população que clamasse por intervenção externa para solucionar um impasse político interno, deveria ser a ONU tal dispositivo de negociação supranacional. No entanto, passando por cima de toda soberania nacional, ferindo a imagem de instituições multipolares como a ONU e até mesmo sob o risco de acirrar o antiamericanismo global, além de abrir uma fenda sem precedentes na relação entre os países do mundo, os EUA querem impor sua vontade, seu desejo de poder: num primeiro momento dominar o petróleo, depois assumir o controle político do Oriente Médio via “democratização dos povos árabes”.
O que tudo isto pode provocar? O acirramento do ódio contra os EUA e, por conseguinte, a produção em escala industrial do único tipo de arma eficiente que os mulçumanos têm à disposição: o ataque terrorista. Quando a política não funciona mais, quando se esgotam todos os recursos diplomáticos, o homem parte então para o instinto de sobrevivência, recorre a sua auto-identidade, à sua tradição cultural. Prefere lutar pelo que acredita a ver seu mundo e seu povo dominados por invasores. É este o sentimento que perpassa os xiitas e sunitas atualmente; deixando de lado suas rivalidades tribais e crenças religiosas, eles partem em defesa da unidade do seu país.
Se Saddam Hussein é ou não é um ditador sanguinário (e ele é, e não há pacifismo no mundo que possa nem deva justificá-lo) torna-se uma questão de menor monta; o que importa aos iraquianos é a defesa do seu território, do seu orgulho como povo árabe. Saddam Hussein entra nessa equação, paradoxalmente, como mártir, assim como Osama Bin Laden “lava a alma” dos povos oprimidos no Oriente (e da “estranha esquerda” no Ocidente...) pela presença destrutiva dos EUA e seus aliados na região.
E é este o mundo que o desejo de poder nos reserva: um retrocesso civilizatório que reduz toda disputa à luta do “Bem” contra o “Mal”. Freud dizia que o mal-estar da civilização sempre foi essa tensão entre os instintos animais primais e a repressão imposta pelas regras do convívio social ordenado. O excesso de poder levaria a um transbordamento das pulsões agressivas guardadas no inconsciente dos homens, pulsões estas reprimidas pelo superego produzido artificialmente pelas reações à vida em sociedade. Se o desejo de realizar o poder total equivale à concretização absoluta destas pulsões agressivas, então nosso tempo será decisivo para a sobrevivência não só dos valores e princípios da civilização, mas da própria espécie humana.
posted by Maur�cio at 12:03 AM
Quarta-feira, Setembro 11, 2002
O dia "D".
posted by Maur�cio at 1:27 AM
Segunda-feira, Setembro 09, 2002
O texto do post abaixo também pode ser lido na revista eletrônica Nova-e.
http://www.novae.inf.br
posted by Maur�cio at 12:12 AM
Domingo, Setembro 08, 2002
11 de setembro de 2001: o mundo mudou depois desta data?
Às mais de 3 mil vítimas das torres do World Trade Center se juntam todo o horror, a exploração e o abuso praticados contra as minorias do planeta; a pretexto de "proteger" o mundo do "mal" que é o terrorismo, Estados (tanto os "Unidos" como muitos outros) ultrapassaram os limites dos direitos civis e humanos para impor uma agenda política perniciosa, vingativa, ilegítima e malvada. Os mesmos que proclamam a "luta contra o terror" também usam do expediente da tortura, da prisão em condições desumanas, do julgamento sumário que termina com o extermínio de "culpados" não julgados, não cobertos pela lei. A "cruzada pós-moderna" dos EUA em seu combate ao "Eixo do Mal" demonstra como a atual administração da maior potência econômica e militar do mundo é retrógrada e selvagem; mesmo sendo o país mais avançado em tecnologia e ciência, ainda assim deixa-se levar pela vingança, pela "crença" numa superioridade moral do ocidente sobre o oriente, por um "direito" de orientação quase "divina" (de um Deus cristão-protestante, não islâmico ou de qualquer outra religião) para decidir quais são os rumos da Humanidade.
Com pretensões imperialistas, os EUA ignoram a conjuntura internacional, desdenham da realidade circundante; para eles, todos são um nada, não se importando com o sofrimento que seus atos fazem pesar sobre os povos oprimidos da periferia mundial. Julgam-se, com toda a arrogância, acima das leis internacionais, não acatando à decisões da ONU, de tratados sobre meio-ambiente ou desenvolvimento sustentável; ignoram o fato de que são odiados pelo planeta justamente por entenderem que o planeta é seu "quintal", onde tudo pode ser feito e ninguém deve reclamar. Por estarem convictos de que são os "mocinhos" deste bang-bang em escala mundial, querem convencer outras nações (Alemanha, China e Rússia) de que seguir sua estratégia política e militar é o mais correto a se fazer - pois parece que desta vez os EUA não poderão contar com muitos aliados, sobrando para sustentar seu ego imperialista os já tradicionais "capachos" da Casa Branca, que são Inglaterra e Israel.
O que mudou no mundo após 11 de setembro de 2001? Verificou-se que é possível praticar ações destrutivas contra Estados-nação sem a evidência de um cenário de guerra declarada entre países soberanos; que a atual administração à frente dos EUA, em sua crença de que o mundo é um "faroeste" ao estilo do Texas, se acha no "direito" de intervir em outros Estados, acusá-los de antemão como "fomentadores do terrorismo internacional", vendendo a imagem de heróis (sustentada em grande medida pela comoção provocada pelas cenas de destruição das torres gêmeas, copiosa e repetidamente exibidas na forma de espetáculo hollywoodiano para todo o globo) que vão "salvar" o planeta - salvaguardar a si mesmos é o real objetivo - do "grande mal" personificado por figuras como Osama bin Laden ou Saddam Hussein (e nunca por sujeitos como Ariel Sharon e qualquer outro que declare apoio aos EUA). Verificou-se também que os americanos, tão acostumandos a viver "num mundo paralelo" em relação "ao resto", certos de que estavam protegidos por trás das telas de cinemas e da pressão cultural que faziam em todo o globo, constataram afinal que são tão frágeis quanto os mortais que exploram; sentiram (e ainda sentem) na "própria pele" as conseqüências da arbitrariedade do governo Bush, privando-os de direitos e liberdades civis defendidos com entusiasmo e até ufanismo, considerados os pilares de sua sólida democracia.
A pretexto de "livrar o mundo do mal", os EUA tomaram os ataques terroristas de 11 de setembro como ponta-de-lança para uma "caça às bruxas" pelo planeta, justificando suas práticas anti-civilizatórias, ignorando a legitimidade dos Estados e o direito que estes têm à soberania dentro dos seus territórios. Querem que o "Mundo do Bem" - isto é, aqueles que estão ao seu lado - declare guerra ao "Eixo do Mal", definição para um inimigo difuso, abstrato, que se baliza mais pela emoção, pela comoção, do que pelos fatos concretos; desta forma, transformam uma reação contra um ato de atrocidade praticado dentro do seu território em bandeira para uma nova "cruzada" contra os "pagãos" do planeta - e esses pagãos são os mulçumanos, as minorias étnicas, os pobres, os excluídos do sistema que tanto defendem e idolatram como sendo o "grande modelo" de civilização. É graças a este modelo que o mundo hoje revolta-se contra seu ardoroso defensor (os EUA), quase que numa luta pela sobrevivência, pelo direito de existir com suas diferenças, especificidades e valores particulares; o mundo quer ser múltiplo, e não seguir uma agenda ditada pela maior nação terrorista do mundo - terrorista porque detém o controle do maior arsenal militar, dos rumos da economia e de referenciais culturais "para as massas".
O mundo mudou? Se mudou, foi para pior. Bem-vindos ao século XXI.
posted by Maur�cio at 2:45 AM
Segunda-feira, Setembro 02, 2002
Mas não é só isso. A grandiosidade das civilizações que construíram pirâmides nos mostra o potencial da cultura e do engenho humanos, apesar dos objetivos destes edifícios serem religiosos: apontadas para o céu, os egípcios acreditavam que as pirâmides dariam "vida eterna" aos mortos ali sepultados; para os maias, o topo da pirâmide era local sagrado para sacrifício humano aos deuses. A "desmistificação" em torno da construção das pirâmides também foi outro ponto importante: antes de sugerir a hipótese "alienígena", os arqueólogos demonstraram que construir pirâmides na Antigüidade, além de ser uma questão religiosa, era uma solução baseada em princípios da física - não havia o conhecimento técnico necessário para se projetar construções colunares, como nossos modernos arranha-céus (tão sugestivos para ataques terroristas...); então descobriram que se projetassem uma base grande o bastante sobre a qual pudessem construir camadas menores sucessivamente, o peso da construção poderia ser sustentado por ela mesma, independente de vigas. Tudo se baseou numa solução simples, para uma época cuja tecnologia também era simples.
Mesmo assim, os povos antigos foram grandes inventores e superaram muitas dificuldades técnicas simultaneamente à construção de suas pirâmides. Por exemplo, na falta de um nível de bolha (destes usados por marceneiros), os egípcios inventaram um esquadro com um pêndulo que cumpria a mesma função, e por isso todos os blocos de pedra puderam ser alinhados com extrema precisão, uns sobre os outros. Apesar de todo este esforço civilizacional, os antigos não puderam evitar a derrocada de suas culturas. Hoje, só podemos recolher seus vestígios, juntar as "peças" do "quebra-cabeças" da história afim de refazer a glória do seu passado.
Mas a mensagem para nós, homens contemporâneos, permanece: grandes feitos podem levar a grandes ruínas. Resta a todos nós a decisão de que caminho seguir, qual legado deixar para os pósteros.
posted by Maur�cio at 12:55 AM
Numa tarde chuvosa de domingo, impedido de sair para praticar meu ciclismo amador, apontei o controle remoto para a TV buscando o Discovery Channel. Assisti um documentário sobre "As Pirâmides do Mundo". Além de esclarecer muitos tópicos que normalmente julgamos "inexplicáveis" - como foram construídas, por quê tantas culturas em lugares tão diferentes e distantes optaram pelas pirâmides, etc. -, o programa serviu para nos alertar como é grande o "risco de vida" de uma civilização. Povos como o egípcio, o asteca e o maia ergueram grandes monumentos à arquitetura, à religião, à arte; no entanto, feneceram. Tais fatos nos obrigam a refletir sobre como seremos no futuro... enquanto as antigas civilizações prosperaram, decaíram e morreram sem afetar o meio ambiente, corremos atualmente (e no futuro próximo) o sério risco de nos matarmos levando o planeta conosco no processo.
posted by Maur�cio at 12:24 AM
Domingo, Setembro 01, 2002
Falar de vida após a morte é sempre delicado, porque pode descambar para a idiotice, para o pitoresco e fantasioso. "Os Outros", ao contrário, trata o assunto de forma séria, fazendo um suspense na medida, sem recair nos velhos clichês do estilo. O filme nos inculta muitas dúvidas sobre como nós somos e como vivemos. A perspectiva proposta nos faz pensar... Eu, particularmente, compactuo com a visão de Amenábar. Achei interessante tanto sob a forma como foi apresentada quanto pelas "respostas" (ou insinuações) dadas. É perturbador pensar que "outros" possam estar convivendo conosco num mesmo "espaço", porém sem que possamos notá-los na maior parte do tempo... A hipótese de "coexistirem" diferentes planos de realidade como que "superpostos" é fascinante; tal especulação encontra "eco" (ou é o próprio "eco") nas investidas que a ciência tem feito na área de mecânica quântica. Segundo o corpus teórico desta área, diversos ou até mesmo infinitos "mundos" podem estar coexistindo, neste exato instante, num mesmo "lugar". Poderíamos estar agora "influenciando" outras realidades, da mesma maneira que às vezes cremos que "coisas" acontecem a nossa volta sem um motivo aparente.
Outro ponto abordado de modo feliz na fita é o confronto entre religião e o inexplicável/inesperado. Grace é católica, e se apega fortemente à fé por causa de certas coisas que aconteceram em sua vida (só vendo o filme para compreender que coisas são essas). Ela tenta forçar os filhos a serem assim também, porém eles (principalmente Anni) de certo modo resistem. O desafio que as manifestações "paranormais" colocam para Grace ajudam o espectador a sentir o drama interno que ela vive: ela quer se apegar em algo que explique sua vida, mas os novos eventos a fazem questionar sua fé. No final, ficamos sabendo que ela, na verdade, de nada sabe ao certo, apesar de num certo nível insistir em alguns "dogmas" dos quais não consegue ou é muito difícil escapar.
Em suma, é um filme excelente, muito recomendável. Uma história para se ver e refletir. Vale à pena.
posted by Maur�cio at 1:20 AM
Assisti noite passada, em DVD, o filme "Os Outros" (The Others, 2001), produção conjunta EUA/Espanha. A história se passa na Ilha de Jersey, costa da Inglaterra, em 1945. Lá vivem Grace (Nicole Kidman) e seus filhos ainda crianças, Anni e Nicholas. Seu marido Charles (Christopher Ecleston) foi lutar na Segunda Guerra, da qual depois de um ano e meio ainda não havia voltado. Grace vive isolada numa velha mansão em meio a escuridão, pois seus filhos possuem uma doença que os torna fotossensíveis, impedindo-os de terem contato com a luz do sol. Numa certa noite os empregados da casa vão embora, inesperadamente... então Grace envia um anúncio para o jornal, recrutando novos empregados. Aí aparecem três pessoas - Sra. Mills (Fionula Flanagan), Sr. Tuttle (Eric Sykes) e Srta. Lydia (Elaine Cassidy) - oferecendo-se para trabalhar na casa...
O filme parte da premissa de que casas escuras e isoladas são um prato cheio para fenômenos "paranormais"; a chegada de forasteiros, o sumiço repentino dos antigos empregados, tudo contribui para um clima de mistério e suspense. Grace sente uma forte enxaqueca, o que será fundamental para compreender eventos que só serão revelados no final do filme. As "aparições" são mostradas de forma indireta, nunca apresentando o "fantasma" - isso contribui para estimular a imaginação do espectador, que nunca sabe ao certo o que está se passando na casa.
Este é o tipo de filme que você pensa ser de um jeito, mas o final te surpreende completamente. E em nenhum momento a seqüência de eventos se contradiz, o que costuma ser raro. Além do mais, aborda com muita competência um assunto no qual outras produções deixaram a desejar; antes deste, somente "O Sexto Sentido" conseguiu obter algum êxito. O roteiro, direção e trilha sonora ficam a cargo de Alejandro Amenábar, chileno naturalizado espanhol de 29 anos que já está em seu 3° longa-metragem, sendo este o primeiro em língua inglesa. Talvez se o filme fosse rodado em Los Angeles tivesse se tornado dispensável, mas o fato de Amenábar ter tido total controle sobre a fita foi fundamental para o sucesso do empreendimento.
posted by Maur�cio at 12:49 AM
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